As cheias e inundações que assolam a cidade de Maputo já afectaram cerca de 10.400 famílias, o correspondente a mais de 50 mil pessoas, de acordo com dados provisórios avançados pelas autoridades governamentais e municipais.
No quadro das medidas de resposta imediata, foram activados vários centros transitórios de acomodação e acolhimento, que acolhem actualmente cerca de 10 mil pessoas, com maior incidência nos distritos municipais de KaMavota e KaMubukwana, entre as zonas mais severamente fustigadas pelas inundações.
O secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, deslocou-se esta terça-feira (20) às áreas afectadas para avaliar o ponto de situação das cheias, tendo efectuado uma visita de trabalho ao bairro Jorge Dimitrov. No local, constatou vias inundadas, residências submersas e as condições de segurança em que se encontram as populações.
A visita contou com o acompanhamento de equipas técnicas do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e do Conselho Municipal de Maputo, que realizaram um levantamento pormenorizado dos danos, com vista à definição de intervenções imediatas e de curto prazo.

“Neste momento, estamos a realizar um trabalho de mapeamento e a implementar algumas intervenções pontuais, sobretudo para responder às situações de famílias que se encontram em estado crítico”, afirmou uma responsável do INGD, sublinhando que o processo de recolha, sistematização e validação dos dados ainda decorre.
Para além das habitações, as cheias afectam igualmente infra-estruturas sociais. Segundo a mesma fonte, registam-se infiltrações em várias unidades sanitárias e, em alguns casos, acumulação de água nos recintos, estando a ser efectuados trabalhos de bombagem para garantir a continuidade do acesso da população aos cuidados de saúde.
As instituições de ensino enfrentam problemas semelhantes, nomeadamente infiltrações e alagamentos em algumas instalações, situação que está a ser monitorada pelas autoridades competentes no âmbito da avaliação global dos prejuízos.
Paralelamente, decorrem acções de limpeza, desobstrução dos sistemas de drenagem e remoção de resíduos sólidos, um trabalho coordenado pelo Conselho Municipal de Maputo, com o apoio de vários parceiros.
De acordo com fontes municipais, “as equipas estão no terreno a fazer tudo ao seu alcance para salvar vidas”, num contexto agravado pela escassez de recursos e pela pressão inflacionária, factores que reduzem a capacidade de resposta das famílias afectadas.
As autoridades reiteram o apelo à colaboração da população e asseguram que as acções de avaliação, assistência humanitária e mitigação dos efeitos das cheias irão prosseguir, enquanto se procura criar condições para que as zonas residenciais fiquem livres das águas.
